Nos últimos setenta anos, um dos fatos marcantes da sociedade brasileira foi o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho. Se em 1940 o contingente feminino na População Economicamente Ativa (PEA) era de 19%, em 2008, atingiu 47%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas apesar do tempo e do aumento de mulheres no mercado, dados mostram que elas continuam sendo discriminadas.
Segundo uma pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), as mulheres latino-americanas ganham em média 17% menos que eles para fazerem o mesmo trabalho. No Brasil, a situação é pior para as mulheres negras. O Ministério do Trabalho revelou que enquanto elas ganham em média R$ 790, o homem branco ultrapassa os R$ 1,6 mil.
Para a integrante da Secretaria de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rosane da Silva, as mulheres, mesmo quando empregadas, são submetidas ao assédio. “Acontece muito o assédio sexual e moral. Hoje, o assédio moral é muito mais forte em nossas vidas, exatamente porque somos responsáveis pelo cuidado da família. [Por exemplo], temos que sair do nosso local de trabalho para levar o filho ao médico e sofremos toda uma pressão da empresa, que é o chamado assédio moral”, diz.
A integrante da Marcha Mundial das Mulheres, Bernadete Monteiro, falou sobre o que é preciso para ocorrem mudanças na vida das mulheres: “Denunciar que esse modelo econômico continua fazendo com que a mulher seja submetida às situações precárias de trabalho, de contrato salarial. [Além de] reivindicar algumas políticas públicas que possam ajudar a mulher trabalhadora também a conquistar mais sua autonomia econômica”.

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